Ideia de lançar Boulos presidente pelo PSOL veio de Marcelo Freixo

Publicado em 29 dezembro, 2017 7:11 am

Em entrevista à jornalista Anna Virginia Ballousier, da Folha, o deputado estadual Marcelo Freixo explicou como teve a ideia de lançar o líder do MTST, Guilherme Boulos, pré-candidato a presidente pelo PSOL. Para Freixo, o momento não é de unificação da esquerda porque Lula anda de “braços dados com Renan Calheiros”.

Ao DCM, durante a manifestação de 20 anos de aniversário do MTST com show de Caetano Velloso, Freixo confirmou que o partido sonda Boulos e que ele considera o nome dele interessante. Mas outros parlamentares do PSOL, como Carlos Gianazzi, acreditam que a legenda tem outros nomes. Neste ano, o deputado Chico Alencar desistiu de disputar a presidência da República pela sigla.

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Como surgiu a chapa Boulos?
A ideia do medo é muito forte e legitima a barbárie. Tenho medo da favela, então qualquer coisa que aconteça lá não me toca. Da juventude negra, então seu genocídio não me abala, não sou um deles. Brinco que nossos sonhos não cabem nas urnas, mas nossos pesadelos cabem. Esses debates todos me fizeram chegar ao Boulos. Estava em casa, tomando um café com minha companheira, a Antônia [Pellegrino, escritora e cofundadora do blog feminista #AgoraÉQueSãoElas, hospedado na Folha].

Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhas dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: “Opa, ali tem caldo”.

Fiz testes com minha equipe, e as reações eram as mesmas. Aí liguei pro Boulos e marquei num botequinho bem “vagaba” perto da av. Paulista. Quando sugeri, ele quase caiu da cadeira de susto. Hoje falta muito pouco para consolidar a candidatura. Março é o prazo.

Boulos não seria visto como radical por uma parcela da sociedade? Ou veremos um Boulinhos paz & amor?
Levamos o Boulos na casa da Paula [Lavigne, mulher do Caetano Veloso e articuladora política] para conversar com setores da intelectualidade, do meio artístico. Muitos não conheciam nada de MTST. As perguntas eram pertinentes. “O que vocês fazem é invadir a casa de alguém?” E é justo ter mais imóvel vazio do que gente morando na rua?

Acho que dá pra trocar os estereótipos da radicalidade por um debate de conteúdo. A ideia é mostrar que essa radicalidade da política é a melhor coisa que pode acontecer pro Brasil, no sentido de ter uma proposta diferente da que se coloca hoje. Vivemos num dos países mais desiguais do mundo, extremamente violento. Nada disso a gente vê como radical. Violenta é a proposta que vem para mudar isso? Será?

É esperto pulverizar a esquerda em várias candidaturas?
A gente vive um momento de reconstrução: qual esquerda a sociedade vai enxergar? Porque precisa enxergar o diferente. Não sei se esse é o momento de unificar todo mundo, não. Até porque a direita também está muito fragmentada: Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles…

O vice-presidente do PT Alexandre Padilha diz que trabalhará para convencer a esquerda a embarcar na candidatura de Lula. Qual a chance de o PSOL abrir mão da chapa?
Não há a menor possibilidade. Ele fala isso pra tentar colocar a gente numa caixa de sectários. Se quisessem recompor a esquerda, não andariam de braços dados com Renan Calheiros em Alagoas.

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Marcelo Freixo. Foto: Divulgação/Facebook
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