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Mulher que trabalhou desde os 7 anos sem salário é resgatada de casa de luxo após 55 anos

Residência em condomínio de luxo na Grande Fortaleza
Residencial de luxo na região metropolitana de Fortaleza. Foto: Reprodução

A Auditoria-Fiscal do Trabalho resgatou uma mulher de 62 anos em condições análogas à escravidão dentro de um imóvel no condomínio Terras Alphaville – Residencial 2, no bairro Cidade Alpha, em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. O resgate ocorreu em junho e o caso veio a público na semana passada. A trabalhadora servia à mesma família desde os 7 anos de idade, sem salário mensal. À fiscalização, a empregadora afirmou: “Foi dada pela mãe”. As autoridades não divulgaram a identidade dos empregadores.

A investigação começou após denúncia anônima e concluiu que a mulher passou mais de 50 anos submetida a uma relação sem remuneração, com dependência econômica, falta de acesso à educação e permanência contínua no mesmo núcleo familiar desde a infância. Ela chegou à casa da família em 1971, atravessou três gerações e, no momento do resgate, cuidava de duas crianças, de 11 e 7 anos, além de preparar refeições e executar as atividades domésticas. A rotina começava por volta das 4h30, com o café da família e a organização da saída das crianças para a escola.

A fiscalização também registrou que a trabalhadora é hipertensa e tinha episódios recorrentes de mal-estar em situações de estresse, mas seguia desempenhando as tarefas. Ela estava inscrita no Cadastro Único e recebia R$ 600 do Bolsa Família; a empregadora sacava o benefício e depois entregava os valores à doméstica. A Auditoria-Fiscal identificou possível fraude contra o Estado na obtenção do benefício e vai encaminhar relatório às autoridades competentes.

O Ministério Público do Trabalho firmou um Termo de Ajuste de Conduta com os empregadores, com vínculo reconhecido a partir de 21 de julho de 2014, quando a mulher chegou à última residência em que trabalhou. O acordo prevê regularização previdenciária, pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias, compra de um imóvel de no mínimo R$ 150 mil com mobiliário e eletrodomésticos essenciais, além do custeio de contribuições até a aposentadoria. A Auditoria-Fiscal estima que os créditos trabalhistas ultrapassem R$ 1,5 milhão, e o TAC não impede cobrança judicial de valores e indenizações não quitados.