Apoie o DCM

Idoso viveu 9 meses com falso diagnóstico terminal de câncer

Leito hospitalar em quarto de hospital
Leito hospitalar com equipamentos médicos ao lado. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação do Estado e de uma autarquia de saúde por erro médico no caso de um idoso de 87 anos que viveu por nove meses acreditando estar em fase terminal de câncer no pâncreas. A 11ª Câmara de Direito Público do TJSP também aumentou para R$ 50 mil a indenização aos herdeiros do paciente, ao manter em parte a sentença da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Com informações de Metrópoles.

Segundo os autos, o paciente procurou atendimento hospitalar com pele amarelada, urina escura e perda acentuada de peso. Mesmo sem exames mais aprofundados, recebeu diagnóstico de neoplasia maligna no pâncreas em estágio terminal e acabou encaminhado a cuidados paliativos. Documentos médicos registraram crises de ansiedade, medo constante da morte, uso de medicação psiquiátrica controlada, sofrimento emocional intenso e perda de capacidade física, com dependência de andador e cadeira de rodas, condição que ele não tinha antes.

O relator do caso, desembargador Fernão Borba Franco, afirmou que o diagnóstico ocorreu “sem o esgotamento dos meios investigativos disponíveis e necessários”. O equívoco veio à tona quando uma equipe de cuidados paliativos, em visita domiciliar, percebeu que os exames de imagem não indicavam claramente a existência de tumor e que o quadro clínico permanecia estável; uma nova tomografia descartou o câncer. Ao elevar a indenização, o magistrado considerou insuficiente o valor inicial de R$ 10 mil: “O sofrimento imposto a um idoso, pela crença, sustentada por meses, na iminência da própria morte, acompanhado das sequelas psíquicas e físicas, reveste-se de gravidade que a quantia de R$ 10 mil não contempla”.