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Entregadores de aplicativos relatam pressão por corridas e riscos no trânsito de SP

Entregador do iFood na calçada. Foto: Vitor Serrano/BBC

Entregadores por aplicativo relatam que a busca por mais corridas os expõe a riscos no trânsito de São Paulo. Matheus da Silva Pérez, de 22 anos, trabalha exclusivamente com entregas há dois anos e diz que cada período parado representa perda de renda. Ele já sofreu dois acidentes e afirma que colegas prestaram socorro em uma das ocorrências, quando também ficou sem poder trabalhar por causa dos danos à bicicleta.

O trabalho por plataformas reunia 1,7 milhão de pessoas em 2024, ou 1,9% dos ocupados no setor privado, segundo o IBGE. Os entregadores eram 485 mil, o equivalente a 29,3% desse total. Pedro Ivo, de 18 anos, concilia as entregas com o ensino médio e afirma que o tempo de espera por restaurantes ou clientes não recebe remuneração. Pelo protocolo, ele precisa aguardar até 15 minutos quando o cliente não aparece.

O sociólogo Douglas Alexandre Santos, pesquisador da USP que trabalhou seis meses como entregador de bicicleta, avalia que os prazos e a remuneração por entrega estimulam condutas perigosas, embora os aplicativos não ordenem infrações de trânsito. “Você faz o que for necessário para conseguir realizar mais entregas”, diz. iFood, 99Food e Keeta afirmaram que não incentivam comportamentos de risco, calculam os tempos de entrega considerando as condições do trajeto e oferecem seguro para acidentes durante o trabalho.