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iFood registra quase 4 relatos de violência por dia contra entregadores

Motoboy Marcos Felipe, conhecido como Nenzada
O motoboy Marcos Felipe, conhecido como Nenzada. Foto: Reprodução

O iFood registrou 3.967 relatos de violência contra entregadores entre junho de 2023 e maio de 2026, uma média de quase quatro casos por dia. Os registros envolvem discriminação, ameaças, agressões físicas, violência verbal e violência sexual durante o trabalho, com clientes, estabelecimentos parceiros ou terceiros. A discriminação concentrou a maior parte das ocorrências, com 1.720 relatos, seguida por ameaças, com 1.189, e agressões físicas, com 860. Com informações de Folha de S.Paulo.

O motoboy Marcos Felipe, 34, conhecido como Nenzada, relatou que um motorista o perseguiu e o atropelou após uma discussão de trânsito durante uma entrega. Ele afirmou que recebeu atendimento jurídico e psicológico depois de acionar o iFood. “Consegui ser ressarcido dos danos da minha moto. O agressor também pagou minhas diárias [do hospital] e alugou outra moto para eu continuar trabalhando”, disse. Outro entregador, Alexandre Mendes, 51, afirmou que uma cliente o acusou de furto mesmo com a entrega registrada por fotografia: “Eu tive que correr atrás para provar minha honestidade”.

São Paulo concentra o maior número de registros desde a criação do serviço, com 1.154 ocorrências e 373 atendimentos especializados. Rio de Janeiro aparece em seguida, com 603 casos e 215 atendimentos, e Minas Gerais soma 205 registros e 73 atendimentos. Para a professora de direito Maria Cecília Lemos, agressões durante entregas entram juridicamente como acidente de trabalho; ela afirma que plataformas devem contratar seguro para acidentes, mas ainda não há lei federal que obrigue aplicativos a manter acolhimento jurídico e psicológico. O iFood informou que 1.308 casos resultaram em atendimento jurídico, psicológico ou socioassistencial, mediante autorização dos entregadores.