Barrada após passar em concurso, doutora aos 24 diz que vai “continuar lutando”

Manoella Treis, de 29 anos, foi aprovada em um concurso para professora de Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), mas não conseguiu tomar posse. A junta médica da instituição a considerou inapta para atuar no campus de Veranópolis, na Serra Gaúcha, por uma suposta incompatibilidade entre suas necessidades de saúde e a estrutura disponível no município.
Manoella, que concorreu em vaga reservada a pessoas com deficiência, tem diagnóstico de transtorno do espectro autista, endometriose e doença inflamatória tipo 2. Ela faz tratamento contínuo com medicação injetável e afirma que sua condição não impede o exercício da docência. “Continuo lutando e aguardando a justiça. Meus advogados receberam um comunicado administrativo do IFRS afirmando que eu não estou válida para o concurso porque eu não cumpro os requisitos mínimos”, disse.
O IFRS declarou que a decisão não questionou a capacidade profissional da candidata, mas se baseou nos pareceres médicos apresentados durante a inspeção admissional. A instituição também informou que não pode nomeá-la em outro campus pelo mesmo concurso. Manoella entrou com ação na Justiça para suspender o laudo de inaptidão e garantir a nomeação ou a reserva da vaga; o TRF-4 avaliou que o caso exige produção de provas e eventual perícia judicial.
