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Igreja dos EUA é acusada de torturar brasileiros

 

Da Istoé:

Fundada há quase quatro decádas nos EUA pela professora de matemática Jane Whaley, a Word of Faith Fellowship (Associação Palavra da Fé) congrega atualmente cerca de 800 mil seguidores na Carolina do Norte. No Brasil, reúne aproximadamente dois mil fiéis, concentrados sobretudo em São Paulo e Minas Gerais.

Na semana passada, uma ampla reportagem da agência de notícias Associated Press, com repercussão em todo o mundo, mostrou que, pelo menos em seu segmento brasileiro, a instituição americana convenceu muitos jovens a se mudarem para os EUA.

Os líderes da Word of Faith Fellowship valiam-se para isso de falsos princípios religiosos e de práticas místicas, prometendo o melhor dos mundos espirituais. Desembarcados na Carolina do Norte, o que os brasileiros encontravam pela frente era, na realidade, o inferno de trabalho escravo (quinze horas diárias), péssima alimentação, precárias acomodações e muito castigo físico. “Eu era obrigado a limpar armazéns da própria seita e também de empresas controladas por ela”, diz André Oliveira. “Essa igreja nos traficou porque queria mão de obra escrava”.

Como nos EUA o estrangeiro com visto de turista não pode trabalhar, os brasileiros eram levados ao país com visto de estudante, que inclui a permissão para alguns ramos de trabalho – jamais para a exploração ou humilhação, é claro. “Eu logo descobri que na igreja jamais haveria a felicidade prometida. Nos enganaram”, diz Thiago Silva, que, feito Oliveira, já abandonou a seita.

Uma investigação foi iniciada nos EUA há cerca de quatro anos, a partir dessas denúncias e também do excessivo mistério que envolve todas as sedes da Word of Faith Fellowship. A apuração dos fatos, no entanto, acabou sendo interrompida – e esquecida. Responsáveis pela igreja negam as denúncias apresentadas pela Associated Press.