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“Ilha dos Gatos”: abandono de felinos causa problema de saúde pública; entenda

Gatos abandonados na Ilha Furtada. Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo

A Ilha Furtada, localizada entre Mangaratiba e Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, abriga atualmente mais de 700 gatos e se tornou alvo de estudos sobre impactos ambientais e sanitários. Conhecida como “Ilha dos Gatos”, a área recebe animais abandonados há décadas e enfrenta dificuldades para garantir alimentação e cuidados básicos aos felinos.

Diante da situação, uma força-tarefa formada por instituições como Fiocruz, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Conselho Regional de Medicina Veterinária e Prefeitura de Mangaratiba criou o projeto “Uma só saúde na Ilha Furtada”. O objetivo é avaliar os efeitos da presença dos animais sobre o ecossistema e buscar soluções para reduzir os danos.

Pesquisadores identificaram circulação do parasita Toxoplasma gondii entre os gatos da ilha. Estudos apontaram anticorpos contra o agente causador da toxoplasmose em cerca de 40% dos animais analisados. Segundo especialistas, o parasita pode alcançar o ambiente marinho por meio das chuvas e contaminar organismos como ostras e mexilhões.

Além dos riscos à saúde humana, cientistas investigam possíveis impactos sobre a fauna marinha. Pesquisas anteriores encontraram casos de toxoplasmose em golfinhos da região, embora ainda não exista comprovação de ligação direta com a Ilha Furtada. Em 2024, a área foi retomada pela União, e a Prefeitura de Mangaratiba aprovou regras específicas para o manejo da população de gatos e o combate ao abandono de animais.