Imigrante que dormia em aeroporto de Belém há 6 meses recebe ajuda para reencontrar filho

A imigrante Fatmata Sessay, de 56 anos, cidadã de Serra Leoa, deve embarcar nesta segunda-feira (22) rumo ao Panamá, onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. Ela vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém. O Ministério Público do Pará comprou a passagem aérea e acompanha a regularização dos documentos necessários para a viagem.
Fatmata deixou São Paulo, onde morava havia 18 anos, no fim do ano passado para tentar encontrar o filho. No caminho, ela relata que sofreu um assalto no Peru e recebeu ajuda de voluntários para seguir até o Suriname, de onde viajou para Belém. Na capital paraense, diz que perdeu o passaporte e uma passagem para o Panamá em outro roubo. Sem documentos e sem recursos, permaneceu no saguão do terminal.
Durante esse período, Fatmata frequentou o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, onde tinha acesso a alimentação e banho. Ao saber da compra da passagem, ela agradeceu ao promotor responsável pelo caso. “Ninguém me ajudou aqui. Só você que comprou a minha passagem. Muito obrigada. Se Deus quiser, vou encontrar meu filho e recomeçar a vida”, disse.
Na sexta-feira (19), a Justiça Federal no Pará determinou que órgãos federais e estaduais prestem assistência consular à imigrante em até 48 horas, com articulação junto à representação diplomática de Serra Leoa, em Washington, para regularização documental e emissão de vistos. Segundo o Ministério Público Federal, Fatmata está em situação de vulnerabilidade e não recebeu suporte adequado ao longo do processo. A Prefeitura de Belém informou que acompanha o caso desde dezembro de 2025, oferece assistência social e que a mulher recebe Bolsa Família. Ela afirmou que preferiu ficar no aeroporto por segurança: “Não quis ir para nenhum lugar porque quando saio tem gente e carros em cima de mim. Aqui me sinto segura”.
