Inelegibilidade de ex-presidente Lula aprofunda crise democrática, diz diretor do Datafolha
Texto de Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, com Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do instituto, publicado na Folha de S.Paulo.
A pesquisa divulgada nesta quarta (31) pelo Datafolha é histórica. Menos por ser a primeira a retratar a opinião pública brasileira após a confirmação da sentença de Lula pelo TRF-4, mais pelo simbolismo de seus resultados. A possível inelegibilidade do ex-presidente aprofunda a crise de representação no cenário político e lança ainda mais incertezas sobre o pleito deste ano e seus desdobramentos.
Em nenhum outro levantamento de intenção de voto para presidente já feito pelo instituto em ano eleitoral observou-se uma taxa tão elevada de brasileiros com a pretensão de votar em branco ou anular o voto. É o que acontece quando se exclui o nome de Lula da disputa.
Mesmo com o petista candidato, o índice já aparece com destaque, o que isoladamente pode refletir a rejeição aos candidatos de um modo geral. Mas, ao excluir seu nome, o percentual cresce mais de dez pontos percentuais e passa a ser a resposta da maior parte dos brasileiros -alcança 32% do total dos eleitores em cenário onde Jair Bolsonaro (PSC) lidera a corrida com 20%.
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Focalizando-se apenas a migração de eleitores de Lula nessa situação, a maior parcela -31% deles- vai para brancos e nulos, 15% passam a votar em Marina Silva, 14% em Ciro Gomes, 8% em Luciano Huck, 7% em Jair Bolsonaro e 6% em Geraldo Alckmin.
A crise democrática fica ainda mais evidente nas simulações de segundo turno. Em duas dentre três hipóteses testadas sem Lula, brancos e nulos disputam a liderança com os dois candidatos finalistas, dentro da margem de erro da pesquisa. Nesses cenários, se a eleição fosse agora, o Brasil poderia eleger um presidente rejeitado por quase 70% da população.
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