Influencer que sexualizou evangélicas com IA atacava roupas em igrejas: “Marcam o corpo”

O influenciador Jefferson de Souza, investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de usar inteligência artificial para manipular e sexualizar imagens de jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil, já atacava nas redes sociais as roupas usadas por fiéis nos cultos antes de virar alvo de inquérito. Em vídeos publicados no TikTok, YouTube e Instagram, onde soma quase 50 mil seguidores, ele dizia que os vestidos “marcam o corpo” e comentava fotos tiradas dentro dos templos.
“Algumas mostram o rosto, mas mostrando outras partes também. E hoje em dia, as roupas que as irmã [sic] usam são roupas que marcam o corpo”, afirmou em uma gravação. Em outra, acrescentou: “Eu acho assim, não tem nada a ver, tudo bem, cada um com a sua vida, mas eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja.” Segundo a apuração, Jefferson também admitiu à polícia que usava essas imagens como base para vídeos manipulados com deepfake. “Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar”, declarou.
Especialistas alertam que o uso de inteligência artificial não reduz a responsabilidade de quem produz ou divulga esse tipo de conteúdo. Segundo a pesquisadora Laura Hauser, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar.” Já Juliana Cunha, diretora da SaferNet, afirmou: “É muito importante que vítimas dessa violência não se sintam culpadas” e destacou: “Sem dados, a gente não consegue influenciar mudanças de políticas públicas e de legislação.” A defesa do influenciador alegou que as publicações “tinham o intuito de sátira e críticas de costumes” e que “em nenhum momento houve a intenção de promover exploração sexual, pornografia ou qualquer ato que atentasse contra a dignidade sexual das pessoas mencionadas”.
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