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Influenciadores vendem mitos a homens que buscam melhorar o esperma

Homem sentado em banco de sauna de madeira
Homem sentado em banco de sauna de madeira, sem camisa e usando shorts pretos. Foto: Reprodução

Conteúdos sobre fertilidade masculina ganharam força nas redes sociais com promessas sem comprovação científica para aumentar a contagem de espermatozoides. Entre as práticas divulgadas por influenciadores estão colocar gelo nos testículos, combinar sauna com resfriamento da virilha, usar suplementos, fazer terapia com luz vermelha e até doar sangue para tentar “filtrar” microplásticos do organismo. Especialistas afirmam que poluentes ambientais e calor excessivo nos testículos podem afetar a qualidade do esperma, mas dizem que muitos desses protocolos não têm evidência de eficácia.

O interesse cresce em meio a discussões sobre queda da fertilidade e das taxas de natalidade. Projeções da ONU no relatório World Population Prospects 2025 indicam que a taxa global de fecundidade caiu de 4,9 filhos por mulher em 1950 para 2,2 em 2025, e que 106 países estão abaixo da taxa de reposição populacional, de 2,1 filhos por mulher. Ainda assim, especialistas ressaltam que a queda de nascimentos envolve fatores não biológicos: no relatório State of World Population 2025, 39% das pessoas citaram razões financeiras como obstáculo para ter o número de filhos desejado, e uma em cada cinco mencionou instabilidade ambiental e política.

Médicos também alertam para riscos no uso de testosterona, esteroides anabolizantes e combinações de medicamentos para fertilidade sem acompanhamento profissional, como HCG e HMG. O endocrinologista Channa Jayasena, do Imperial College London, afirma que essas substâncias podem causar efeitos graves, como coágulos sanguíneos e crescimento das mamas. Para melhorar a fertilidade, ele recomenda medidas com base científica quando houver fatores reversíveis: parar de fumar, perder peso e aumentar a atividade física.