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“Isso tudo é normal”, diz professor de Direito cuja sala foi invadida quando ele defendia o golpe

 

Professor de direito administrativo há 40 anos, Eduardo Gualazzi disse achar “estranho dar tanta repercussão a um assunto tão banal”. Gualazzi teve a sala na Faculdade do Largo de São Francisco invadida por alunos quando defendia o golpe de 64.

“Foi uma aula comum, a respeito de fatos que presenciei quando eu tinha 17 anos de idade. São recordações vagas, de um passado remoto. Qualquer ser humano nascido no Brasil tem recordações daquela época. Não sei por que ficam dando à minha aula uma importância que ela não tem”, disse Gualazzi, para quem a qualquer momento se encontrará no pátio da universidade “uma série de alunos manifestando-se contra ou a favor de qualquer coisa”.

“Eles estão exercendo o direito de manifestação, são jovens, estão começando a vida. Estão começando a desenvolver capacidades de argumentação lógica, jurídica, administrativa. Isso tudo é absolutamente normal”, afirmou. Perguntado sobre a relação entre o texto lido em sala e a disciplina ministrada na universidade, o professor alegou ter atendido a um pedido dos próprios alunos:

“Preparei um texto histórico. Os alunos me pediram uma aula a respeito disso, porque sabem que tenho idade. São jovenzinhos, curiosos, querem saber o que aconteceu naquela época. Como sabem que tenho 67 anos, me pediram. Alguns até elogiaram e consideram uma ofensa o que outros fizeram contra mim”.

 

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O GLOBO