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Jamil Chade: carta de Trump a Castro integra estratégia dos EUA na América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Foto: Reprodução

O jornalista Jamil Chade afirmou que a carta enviada por Donald Trump ao governador bolsonarista do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), não é um gesto isolado, mas parte de uma estratégia americana para ampliar sua influência na América Latina. Em comentário no UOL News, ele apontou que o movimento ganhou força após uma delegação dos EUA visitar o Brasil em maio, quando propôs que o país classificasse facções criminosas como grupos terroristas.

“Essa história começa em maio, quando uma delegação americana vai ao Brasil, se reúne com o Itamaraty e com o Ministério da Justiça, e propõe que organizações criminosas sejam classificadas como grupos terroristas. O Itamaraty e o Ministério da Justiça dizem um categórico não, e a Polícia Federal sequer aceita encontrar com esse grupo”, relatou o colunista.

Chade explicou que, apesar da negativa do governo federal, os representantes americanos também se reuniram com o senador Flávio Bolsonaro e com governos estaduais, incluindo o do Rio. “Eles também têm reuniões com os governos estaduais, entre eles com o governo do Rio de Janeiro, nessa direção exatamente do que diz essa carta, se colocando à disposição para ajudar. Mas também abrindo um canal paralelo entre os governos estaduais e o governo americano, sem passar pelo governo federal”, afirmou.

Para o jornalista, a retórica dos EUA sobre o combate ao ‘narcoterrorismo’ serve como justificativa para intervenções na região e pressiona o Brasil a adotar o mesmo discurso. “O governo americano vem dizendo: ‘Narcotráfico será tratado da mesma forma que os militantes da Al-Qaeda’. Ou seja, em nome da segurança nacional, podemos fazer o que bem entender em qualquer território do mundo”, avaliou. “Nada disso acontece por acaso”, concluiu.