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Janaína Paschoal diz que está “mais madura” e Brasil “saiu maior” do impeachment

 

Janaína Paschoal deu entrevista ao Estadão:

O que mudou na sua vida nesse último ano?

Vida normal. Eu me sinto uma pessoa mais madura, mais velha em todos os sentidos, mas a vida segue normal. Dou aulas normalmente, nada mudou. Você fica mais tolerante depois de passar por tudo aquilo. Eu já era tolerante, e fiquei ainda mais tolerante.

Como avalia sua responsabilidade nesse processo?

Sobre o crime dos outros, eu não tenho responsabilidade nenhuma. Sinto um alívio muito grande, um sentimento de ter cumprido uma missão. Não me omiti, esse é o sentimento. Responsabilidade é forte demais. Trabalhei para que um comportamento ilícito tivesse consequência. O meu sentimento é de tranquilidade por ter feito o que precisava.

Qual o balanço a senhora faz dos rumos do governo Temer nesse período?

É importante deixar bem claro que, quando eu pedi o impeachment da presidente, não foi com o objetivo de colocar Temer no poder. Pedi o impeachment por força dos crimes que foram cometidos. E o PT tinha convidado Michel Temer (para ser vice). O problema que eu vejo é que Temer poderia ter aproveitado essa oportunidade histórica para ser um estadista. Os fatos mostram que não foi assim.

O que faltou para Temer se tornar um estadista?

O problema foi a mala (entregue por um executivo da JBS ao ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures). Aconteceu algo na vida dele que dá a oportunidade de ele dar uma virada. E o sujeito pega esta oportunidade e joga no lixo. É muito grave. Nada do que ele faça na economia, em qualquer campo, nada vai apagar a mala.

Como vê o trabalho do STF, do MPF e da PF contra a corrupção?

Tenho algumas divergências pontuais, mas elas não impedem de reconhecer o mérito do trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal, dos juízes. Com relação ao STF, tenho grandes preocupações.

Quais preocupações?

O discurso de alguns ministros é um discurso que vai no sentido de anular tudo.

Quais ministros?

As decisões do ministro (Ricardo) Lewandowski, do ministro (Dias) Toffoli, algumas libertações que eu acho que as pessoas não seriam libertadas se não fossem importantes. Agora, o discurso mais assustador é o do ministro Gilmar Mendes. É muito assustador.

Passado um ano, como o Brasil saiu desse processo?

O Brasil saiu maior, porque mostrou que a gente tem a capacidade de enfrentar a nossa triste realidade.