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Jânio de Freitas: Luiz Fux está sendo poupado no caso do auxílio-moradia

Da coluna de Jânio na Folha de S.Paulo.

O auxílio-moradia dos juízes ganhou a dimensão de escândalo por uma causa que está obscurecida. Quem o recebe é porque, tendo ou não imóvel próprio, o requereu. Nisso há um componente ético ou moral, variável segundo a razão de cada requerente do privilégio. Apesar disso, todos os recebimentos se igualam em um ponto: ao inverso do que o noticiário permite deduzir, são todos legais. Autorizados pelo Supremo, por intermédio de uma liminar do ministro Luiz Fux beneficiando “todos os juízes federais”, “inclusive nos casos de acumulação” de posse de imóvel e auxílio-moradia. A partir daí, começa o problema adicional.

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Luiz Fux está poupado em uma situação grave da qual é o criador. E o será, ainda, da provável consequência onerosa do julgamento pelo Supremo, quando ocorrer e seja qual for o resultado: com o tempo, o assunto chegou a um nível de tensão em que o vencido, ou se julgará usurpado, ou, sendo outro, acirrará a exaltação lançando-a também contra o Supremo.

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De tudo isso, aproveita-se –e se agradece– a desculpa de Gilmar Mendes para ser proprietário de imóvel, um dos detentores do maior salário legal no funcionalismo, usuário dos privilégios do Supremo e, não satisfeito, requerente/recebedor de residência funcional. A “explicação”: a casa oficial [do Estado] que ocupa em Brasília, sendo dono de imóveis, “está em processo de devolução”. Que processo é esse? Desde quando existe e onde? E apagaria os anos de acumulação? Nesses tempos de mau humor, Gilmar Mendes dá uma explicação cômica.

Por falar nele, o que nunca é demais, Gilmar Mendes emitiu uma advertência importante: “Já avisei a alguns chefes de redação que, se me acontecer alguma coisa, sei quem tem a culpa”.

Nós também sabemos: é Gilmar Mendes.

Brasília – O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, cumprimenta o ex-presidente do TSE Gilmar Mendes durante solenidade de posse (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)