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Janio de Freitas: “Situação de Temer agravou-se muito”

Da sua coluna na Folha:

Para quem em visita à Noruega pensa estar na Suécia, e, ao lado do presidente paraguaio, trata-o como governante de Portugal, uma confusão a mais seria apenas natural e inevitável. Não fosse, dessa vez, uma viagem de Michel Temer a respeito de si mesmo, ao acreditar que o afundamento de Joesley Batista extingue os efeitos judiciais e políticos do que tramaram no seu encontro noturno. A situação de Temer, na verdade, agravou-se muito. Além de inalterada, a já conhecida incriminação que Joesley lhe fez ganhou, entregue em malas e caixas, volumosa contribuição do seu parceiro Geddel Vieira Lima.

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Geddel é um político que não suscita dúvidas há 25 anos, quando se notabilizou como um dos “anões do Orçamento”, que desviavam em favor próprio a destinação, pela Câmara, das verbas federais para o ano. Na década passada, Antônio Carlos Magalhães avisava, sobre negócios de Geddel com fazendas e outros imóveis: “Geddelzinho vai às compras”, ou foi. Apesar de tal transparência, Geddel foi diretor da Caixa Econômica a pedido do então vice de Dilma Rousseff (para eliminar dúvidas teimosas sobre o sentido de suas escolhas, o outro diretor indicado por Temer foi Moreira Franco). Derrubada Dilma, Geddel estava na primeira fila a entrar no Planalto, feito ministro da Secretaria de Governo de Temer –um dos dois ministros que sabem e lidam com tudo no governo.

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Ainda em nível de expectativa, há mais quatro ou cinco gravações de Joesley e outros dirigentes do grupo J&F. Mais ameaças potenciais para Temer, sem exclusividade: seria a hora também de outros políticos. Acima de tudo isso, paira a indignação que invadiu o Supremo e, pode-se pressentir, exacerbou disposições ali quanto a tudo referente à corrupção e seus personagens. Uma boa perspectiva, pois. Não para Temer.