DNA de jabuti de 194 anos revela pistas que podem ajudar a entender a longevidade humana

O sequenciamento do genoma de Jonathan, um jabuti-gigante-de-aldabra de 194 anos, identificou variantes genéticas associadas à sua longevidade excepcional. Considerado o animal terrestre mais velho do mundo, ele vive há cerca de um século além da expectativa de vida estimada para a espécie, entre 80 e 93 anos.
O estudo, publicado na revista Science Advances, encontrou 287 genes com variantes exclusivas e outros 770 ligados naturalmente à longevidade. Entre os mecanismos observados estão uma maior capacidade de reparo do DNA, regulação mais eficiente da insulina, proteção contra o câncer e mitocôndrias mais ativas. Jonathan também tem dez cópias do gene da perforina, usado por células de defesa para destruir células cancerígenas e envelhecidas.
A análise indicou ainda que o jabuti mantém telômeros e padrões de metilação mais preservados que os de animais décadas mais jovens. Para obter o material genético sem coletar sangue, pesquisadores usaram raspagens de saliva e da mucosa da bochecha de Jonathan, que vive no jardim da residência oficial do governador da Ilha de Santa Helena. A geneticista Mayana Zatz afirmou que a combinação de características é extraordinária e pode ajudar a compreender mecanismos do envelhecimento humano.
