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Jornalista da Folha está de quarentena após encontrar Bolsonaro nos EUA

Reprodução: Twitter

Por Marina Dias na Folha:

Confesso que só comecei a sentir medo do coronavírus há nove dias. E, desde quinta-feira (12), decidi não sair de casa. Na primeira semana de março, os casos confirmados nos EUA somavam pouco mais de 500 e nenhum deles havia sido registrado em Washington, cidade onde moro.

O clima nas ruas em que circulo parecia normal, com exceção à dificuldade de encontrar álcool em gel nas farmácias e lojas de conveniência. No sábado (7), porém, recebi o alerta: a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora) avisava que um de seus participantes tinha sido diagnosticado com coronavírus.

Uma semana antes, estive no hotel que sediou o evento perto de Washington. Fui acompanhar os discursos de Donald Trump e de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho de Jair Bolsonaro. O ambiente não poderia ser mais propício para a transmissão do vírus. Salão enorme, sem janela, cheio de pessoas que viajaram de diversos países para o encontro da direita conservadora americana. Fiquei preocupada, mas não apresentava sintomas.(…)

Após a confirmação de que o secretário estava infectado, a Presidência emitiu nota afirmando que adotara medidas para preservar a saúde de Bolsonaro e da comitiva, assim como a dos servidores do Planalto.Os jornalistas que acompanharam a viagem de Bolsonaro à Flórida —e tiveram contato direto com Wajngarten não foram contatados ou orientados sobre o que deveria ser feito.

(…)