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Jornalista Elio Gaspari pede afastamento de Pezão e diz que Ciro é “contra-tudo-o-que-está-aí”

Além de falar do Carnaval de Temer e seus delírios com intervenção estadual, o jornalista Elio Gaspari disse em outros textos que Pezão deveria sair do governo do Rio de Janeiro e que Ciro Gomes tem possibilidade de crescer nas crises da direita.

A ideia da intervenção do governo federal na segurança do Rio veio tarde e é curta. O governador Luiz Fernando Pezão precisa ir embora. Não tem saúde, passado nem futuro para permanecer no cargo num Estado falido, capturado por uma organização criminosa cujos chefes estão na cadeia. Como? Ele desce do gabinete, entra no carro e vai para casa.

Na quinta-feira, quando esteve no Planalto, Pezão disse a Temer que a situação da segurança pública do Rio saíra do seu controle. Ao deputado Rodrigo Maia, mencionou a “calamidade” e acrescentou: “Não podemos adiar nem mais um dia”. Há duas semanas o mesmo Pezão se orgulhava da qualidade e da eficiência de suas polícias, reclamando do que seria uma “cobertura cruel”.

Desorientado (há tempo), o governador construiu um caso clássico para demandar uma intervenção ampla, geral e irrestrita no Rio. Nada a ver com o que se armou no Planalto.

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Um pedaço do andar de cima namora a ideia de colocar Geraldo Alckmin no Planalto. Como? Não sabem. Outro pedaço preferia Luciano Huck. Para quê? Não sabiam. Todos estão de acordo num ponto: Lula não pode disputar.

Essas construções têm lógica, mas criam um vácuo no qual só um candidato amplia sua base eleitoral: Ciro Gomes, pronto para encarnar o contra-tudo-o-que-está-aí.

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Fernando Henrique Cardoso traçou um breve perfil de Ciro em seus Diários:

“Ele é uma personalidade complicada; é precipitado, afirmativo, inteligente, tem coragem, mas é um pouco oportunista nas posições e não vai muito fundo nas questões.”

Faltou mencionar seu fraco pela autocombustão.

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Elio Gaspari