João Roberto Marinho visita José Trajano
João Roberto Marinho mostra que é bem diferente do pai. Bate à porta de Trajano e diz que viu a entrevista com Lula
Não é fake news não. Ontem à tarde, José Trajano estava em casa conversando com o amigo Cláudio Arreguy quando a arrumadeira avisou que havia um senhor na portaria do edifício, na Vila Madalena. Trajano pediu que perguntasse o nome pelo interfone. Ela voltou e disse que era João Roberto Marinho. Trajano pensou que só podia ser brincadeira, mas mesmo assim autorizou que o desconhecido subisse.
A campainha soou e, ao abrir a porta, ele ficou perplexo: estava à sua frente o filho de Roberto Marinho, pisando no tapete com os dizeres “Fora Temer”. Os dois se cumprimentaram e Trajano pediu que o ilustre visitante entrasse. João Roberto entrou, explicou que já conhecia a “Sala do Zé” e disse que assistiu à entrevista com Lula.
Os dois concluíram que o herdeiro do jornal “O Globo” enganou-se de endereço. O empresário ali estava para se encontrar com outro morador do prédio: o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, da USP. Despediram-se cordialmente e assim foi encerrada a mais rápida e surpreendente entrevista da “Sala do Zé”.
O encontro da Vila Madalena entra, desde já, para o folclore da imprensa, como o dia em que o bilionário dono de “O Globo” bateu à porta do irreverente e combativo José Trajano. Mas também nos leva a fazer uma reflexão. Concorde-se ou não, alguma coisa mudou no jornalão da rua Irineu Marinho.
Ou alguém consegue imaginar o prepotente Roberto Marinho sozinho na frente de um prédio à procura de um conhecido. Ele não era homem de se expor e muito menos de correr o risco de bater em porta errada. Não agia como um mortal comum. Algum auxiliar seria encarregado de avaliar o terreno em missão precursora, para segurança do poderoso chefão. O que mais impressionou Trajano foi exatamente a naturalidade de João Roberto Marinho, que também o reconheceu de imediato e em nenhum momento mostrou-se intimidado.
Obviamente, ele sabe das posições políticas de Trajano e também de suas opções profissionais. Mas não exibiu qualquer desconforto. Ao contrário, foi educado e simpático. E pelo jeito gostou da entrevista de Lula, na qual foi citado. A pedido de Juca Kfouri, Lula relembrou o episódio no Instituto Lula, em que João Roberto sugeriu que o ex-presidente se candidatasse no lugar de Dilma Rousseff em 2014.
