Jovem acusa pastor de racismo: “Ana, tem que passar chapinha”
O pastor Lázaro Augusto da Rosa, da Igreja Universal, foi acusado de racismo no ambiente de trabalho. A denúncia foi realizada por Ana Clara da Mota Santos, assistente de produção.
“Ana, Ana, tem que passar chapinha”, afirmou o líder religioso, segundo relatou a profissional. Segundo o boletim de ocorrência, o caso ocorreu durante a gravação de um programa em Belo Horizonte (MG).
A denunciante recuperou a gravação de áudio e levou a conversa para a delegacia na última segunda-feira (16).
“Ele sempre fez essas brincadeiras nos corredores, geralmente relacionadas a cabelo. Dizia sobre dread, insinuava que era cabelo de mendigo. Desta vez, quando fui fazer uma observação técnica sobre um brilho no rosto dele, ele partiu para este ataque falando sobre chapinha”, disse Ana em entrevista ao UOL.
A assistente começou a chorar e a equipe paralisou o programa. Na sequência, foi levada para uma reunião secreta e escutou que “se fosse à delegacia seria um problema grande”.
Só que ela não ficou com medo e decidiu enfrentar o pastor. “Tentaram me colocar como louca, mas a verdade é que até a equipe parou. Era racismo sim. Me levaram para a sala do diretor, que disse que iria conversar com o pastor, e que ele seria punido em uma espécie de lei interna deles, mas que ninguém saberia. Tentaram inverter como se eu fosse o problema”, relatou.
Cláudio Anderson dos Santos, pai e advogado de Ana, também se posicionou sobre o tema. “As medidas judiciais são o mínimo que podemos fazer em uma hora dessas”, comentou.
“Criamos nossos filhos para dar a eles a responsabilidade de trabalharem sua identidade, que é afro e é linda, e saber que todos somos iguais, pelas leis jurídicas e até divinas. Vamos levar para frente sim porque crime é para ser punido, e mostrar às pessoas que ninguém deve se calar com esse tipo de violência. Deixar de denunciar é aceitar o racismo estrutural como a regra”, continuou.
“Sou pai, cidadão e jurista. Vocês não estão cansados dessas afrontas, sempre de cima, até do governo, ou de gente importante, ou de supostos líderes, seja de quem for, com o recado de que devemos simplesmente aceitar racismo, homofobia, misoginia, xenofobia como se fossem naturais?”, completou.
A Igreja Universal se posicionou. “Quem frequenta qualquer culto da Universal, em qualquer país do mundo, comprova que bispos, pastores e fiéis são de todas as origens, etnias e tons de pele, de todas as classes sociais”, diz trecho da nota.