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Jovem é absolvido após ser identificado apenas pelo cabelo; Secretaria apura racismo

Adolescente de cabelos cacheados
Adolescente de cabelos cacheados. Foto: Reprodução

Um adolescente de 17 anos passou 15 dias internado em unidades da Fundação Casa, em São Paulo, após policiais o apontarem como suspeito de uma tentativa de roubo a uma passageira de táxi. A Justiça o absolveu em 4 de setembro por insuficiência de provas. A abordagem ocorreu em 5 de agosto, quando ele estava na calçada da casa de um amigo, na região central da capital.

Os PMs procuravam um suspeito descrito pelo taxista como alguém de cabelo volumoso e cacheado e roupa escura. Eles revistaram os dois jovens e não encontraram itens ilícitos. Depois, entraram na residência sem mandado e localizaram celulares danificados em um armário. A dona da casa, mãe do amigo do adolescente, afirmou que guardava os aparelhos para trocá-los por um novo. O amigo, que é branco, foi liberado, enquanto o adolescente foi levado ao 7º Distrito Policial, na Lapa.

Vídeos de câmeras corporais juntados ao processo mostram um policial exibindo uma foto do adolescente ao taxista antes do reconhecimento e dizendo: “Acho que não tem muita dúvida porque só ele tem esse cabelo, né?”. Na audiência, o taxista afirmou que não viu o rosto do autor do crime. O Ministério Público pediu a improcedência da representação ao destacar as falhas no reconhecimento, a ausência de objetos com o jovem e a falta de provas sobre a autoria. A Secretaria da Segurança Pública informou que apura o relato de racismo por meio de investigação preliminar.