Fé, culpa e rejeição: jovem gay conta como tentou conciliar religião e sexualidade

Gabriel Guedes, 21 anos, cresceu em uma família evangélica em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e passou anos tentando conciliar a fé com a atração por outros meninos, percebida ainda na infância. Ele contou que as orações eram marcadas por ansiedade, medo e choro, porque pedia a Deus que o mudasse.
Aos 14 anos, Gabriel decidiu contar à família que era gay para tentar viver os próprios sentimentos com naturalidade. A avó foi a primeira a saber. As reações variaram, mas ele relata que o avô o acolheu e abriu espaço para que seu então namorado participasse da convivência familiar.
Nem todos os parentes aceitaram sua orientação sexual. Gabriel afirmou que, depois da revelação, o pai o trancou no quarto durante uma discussão e disse que ele deveria ser um “homem de verdade”. A experiência deixou a relação distante e, segundo ele, criou uma ausência familiar grande.
Com o tempo, Gabriel deixou de pedir para que a sexualidade desaparecesse e passou a buscar entendimento. Ele se afastou da igreja por um período, mas diz que nunca deixou de acreditar em Deus; hoje, afirma que não depende da aprovação de terceiros para viver a fé. O psicanalista Allan Jovelino avalia que o sofrimento psicológico não nasce da religiosidade em si, mas “das experiências de rejeição, culpa e discriminação vividas por algumas pessoas em determinados contextos religiosos”.
