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“Morri e voltei”: jovem relata AVC após dor de cabeça ignorada por quase 2 anos

Tayla Sanchez aos 35 anos
Tayla Sanchez. Foto: Reprodução

Tayla Sanchez tinha 25 anos quando uma dor de cabeça que se arrastava havia um ano e meio evoluiu, em poucas horas, para convulsões, coma induzido e uma internação de quase três semanas em estado crítico. Ela recebeu diagnóstico de enxaqueca nas consultas anteriores, mas exames feitos depois apontaram um AVC isquêmico desencadeado por trombose venosa cerebral. “Literalmente morri”, disse Tayla. “As pessoas pensam que é no sentido figurado da palavra, mas não. Eu morri e voltei.”

O quadro se agravou após ao menos cinco convulsões no hospital. Tayla ficou intubada e, em uma sexta-feira, um fisioterapeuta avisou uma prima de que ela provavelmente não passaria do fim de semana. Na segunda-feira seguinte, ela abriu os olhos. A jornalista e escritora perdeu os movimentos do lado direito do corpo e precisou reaprender a falar, andar, escrever e digitar.

A trombose venosa cerebral ocorre quando um coágulo bloqueia a drenagem do sangue no cérebro, aumentando a pressão dentro do crânio. O neurocirurgião Helder Picarelli explica que essa pressão pode causar falta de oxigênio em áreas cerebrais e também romper vasos menores. No caso de Tayla, os exames sugeriram uma combinação de AVC isquêmico e hemorrágico.

Tayla usava anticoncepcional hormonal havia dez anos e descobriu depois que tinha uma predisposição genética à trombose, condição que contraindicava esse tipo de medicamento. A Anvisa aponta que mulheres que usam anticoncepcionais combinados, com estrogênio e progesterona, têm cerca de três vezes mais chance de desenvolver tromboembolismo venoso do que mulheres que não usam. Médicos alertam que dor de cabeça súbita, diferente do padrão habitual, sem melhora com analgésicos e acompanhada de náusea, vômito, confusão mental, perda de força ou convulsões exige investigação por exame de imagem.