Jovem tenta anular “desadoção” após perder sobrenome de mães adotivas; entenda

Flávio da Silva Maximiano Júnior, de 21 anos, tenta anular na Justiça uma decisão que desfez sua adoção e retirou o sobrenome das mães adotivas em Santa Catarina. Adotado na infância pela advogada Lilian Regina Terres Moroso e pela juíza Sonia Moroso Terres, ele passou a se chamar Flávio Luiz Moroso Terres, mas perdeu o vínculo de filiação após assinar documentos que pediam o fim da adoção.
Segundo o jovem, a decisão ocorreu após uma discussão familiar envolvendo sua namorada. “A Lilian falou: ou você escolhe a Ingrid ou a gente”, relatou. Flávio afirma que assinou o documento porque entendeu que só poderia sair de casa abrindo mão do nome e dos direitos de filho. “Se eu só posso sair da casa delas sem um nome, eu vou assinar esse documento”, disse. O pedido foi homologado pela Justiça em 45 horas.
A defesa de Flávio entrou com ação rescisória alegando fraude processual, rapidez na decisão e ausência de audiência ou estudo psicossocial. O advogado Rodrigo dos Santos Monteiro afirma que ele não quer recuperar o sobrenome, mas retomar os direitos de filiação e a convivência com o irmão. “Hoje, o Flávio não tem uma família. Ele foi devolvido a ninguém”, disse. O Ministério Público de Santa Catarina afirmou que a lei brasileira não admite a extinção da filiação por ruptura afetiva, enquanto as mães adotivas contestam a versão e dizem que tentaram convencê-lo a desistir da decisão.
