Jovens são os mais afetados pelo desemprego

Da VOCE S/A:
Dados divulgados, em setembro de 2017, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que as maiores vítimas da recessão foram os jovens. No segundo trimestre do ano passado, do total de desempregados com idade entre 18 e 24 anos, apenas 25% conseguiram uma nova colocação no mercado de trabalho, enquanto 57% estão desempregados há mais de um ano.
A pesquisa, que ouviu 1 000 pessoas entre 18 e 30 anos, concluiu que 47% delas não estudam e, dessas, 34% não estudam nem trabalham – 28% estavam desempregadas e o restante nunca trabalhou. “Há uma geração capacitada que não está sendo aproveitada pelo mercado. Ao mesmo tempo, temos jovens com renda mais baixa que não trabalham nem estudam, mas que poderiam ter acesso a um bom ensino técnico, que os capacitasse para o trabalho”, afirma o diretor do grupo Padrão.
Outro problema frequente dessa geração, de acordo com Milie Haji, gerente de projetos da Cia. de Talentos, consultoria de seleção e desenvolvimento de carreira de São Paulo, é a falta de competências emocionais. “Muitas vagas deixam de ser preenchidas porque faltam candidatos que tenham, por exemplo, controle de suas emoções durante a seleção”.
Por isso, ela aconselha a prestar atenção ao feedback dado pela empresa ou consultoria de RH durante todas as fases do recrutamento. “Por exemplo: se você se inscreve para uma vaga e não passa da etapa inicial, aproveite para rever seu currículo, pois seguramente tem algo errado nele”. Mas, se avança até a entrevista presencial e não consegue o emprego, provavelmente a deficiência é comportamental. No ano passado, 1,2 milhão de jovens estavam cadastrados no site da Cia. de Talentos, onde havia 6 000 vagas disponíveis. Ainda assim várias vagas não foram preenchidas. “Muitos candidatos não eram compatíveis com o perfil pedido pelas empresas, justamente pela ausência de algumas competências emocionais, como criatividade, resiliência, pensamento inovador ou autoconhecimento”.
Uma situação parecida foi verificada na 99jobs, empresa de recrutamento de jovens talentos. “Recentemente, tínhamos 60 vagas para trainee e 28 000 inscritos, mas não conseguimos preencher todas”, afirma Quem concorda é Eduardo Migliano, co-fundador da 99jobs. “Vários jovens não sabem o que querem realmente e, de forma geral, têm prioridades distintas das valorizadas pela geração anterior – que é a empregadora”. Para complicar, o sistema de ensino brasileiro obriga o estudante a escolher a profissão que vai seguir quando ainda é muito imaturo para isso. Resultado: há quem abandone o curso ou se frustre quando põe a mão na massa.
