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Júri aceita “direito de perdoar” e absolve pai que atacou filho com facão

Prédio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul — Foto: Divulgação CNJ

O Tribunal do Júri do Rio Grande do Sul absolveu Jani Francisco do Amaral, de 58 anos, acusado de tentar matar o próprio filho, Guilherme Santos do Amaral, de 30. A decisão, considerada rara na Justiça brasileira, foi tomada por quatro votos a dois após a Defensoria Pública do Estado apresentar um pedido de clemência baseado no “direito de perdoar”.

O crime ocorreu em julho de 2017, quando o réu atacou o filho com um facão durante uma discussão. A vítima, que tinha 22 anos à época, sobreviveu aos ferimentos e declarou, antes do julgamento, que não desejava ver o pai preso para evitar sofrimento à avó, mãe do agressor. O pedido sensibilizou os jurados e levou à absolvição.

Durante o processo, a defesa informou que Jani sofreu um AVC, ficou com sequelas motoras e hoje depende de cadeira de rodas e dos cuidados da mãe. O caso foi conduzido pela defensora pública Tatiana Boeira e teve repercussão no meio jurídico por reconhecer o perdão da vítima como elemento determinante na decisão do júri.