Justiça determina perícia para apurar se o Digimais vendeu carteiras podres

A Justiça de São Paulo determinou, na semana passada, uma perícia técnica para avaliar se carteiras de crédito revendidas pelo Digimais, banco de Edir Macedo, a um fundo de investimento têm lastro documental. A discussão envolve carteiras formadas por cédulas de crédito bancário, as CCBs, que representam o compromisso de pagamento assumido por tomadores de financiamento. Com informações de Metrópoles.
Em março do ano passado, o Digimais repassou uma carteira ao EXP 1 FIDC em uma transação inicialmente avaliada em R$ 722 milhões. A gestora Yards afirma que não recebeu a documentação do produto adquirido e contratou uma auditoria, que apontou irregularidades em cerca de 42% das CCBs transferidas, justamente as de valores mais altos. Segundo a auditoria citada pelo fundo, entre 41% e 42% da carteira não tinha documentação de lastro apresentada ou apresentava pendências, o equivalente a cerca de 22 mil contratos; das 3,1 milhões de parcelas a vencer, 2,1 milhões, ou 58% da base, não tinham lastro.
Na ação que tramita na 33ª Vara Cível de São Paulo, o fundo pede que o Digimais repasse valores que teria retido, abra uma conta vinculada para recebimento dos repasses dos cedentes originais e pague indenização por prejuízos decorrentes das supostas fraudes. O banco afirma que enviou à gestora toda a documentação comprobatória dos créditos cedidos e argumenta que a Yards, ao dizer que só identificou problemas após a constituição do fundo, teria deixado de cumprir o dever regulatório de analisar previamente o lastro.
A juíza Ana Carolina Miranda de Oliveira apontou a necessidade de verificar se o Digimais cumpriu as obrigações contratuais, se reteve valores, se os créditos têm lastro e qual seria a extensão de eventuais perdas e danos. “Para viabilizar a realização da perícia, deverá o réu apresentar, no prazo de 30 dias, toda a documentação necessária à verificação do lastro documental dos créditos cedidos e dos respectivos repasses, bem como os demais elementos que vierem a ser indicados pelo perito”, determinou. O Digimais também está sob escrutínio desde terça-feira (23), quando uma operação da Polícia Federal mirou o banco sob suspeita de inflar artificialmente seus balanços para esconder dificuldades financeiras.
