Justiça mantém justa causa de gerente que tentou beijar jovem aprendiz em SP
A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um gerente que tentou beijar na boca uma jovem aprendiz menor de idade em uma empresa de Santo André, na Grande São Paulo. A decisão, assinada em 14 de agosto pela 3ª Vara do Trabalho do município, determinou ainda o envio da sentença e de documentos ao Ministério Público de São Paulo para avaliar uma possível prática de crime.
A jovem relatou que o gerente colocou as mãos em seu rosto e tentou beijá-la enquanto ela organizava documentos no arquivo morto da empresa. Ela desviou o rosto, e o beijo atingiu sua bochecha. Segundo seu depoimento, o homem pediu que ela não contasse o episódio a ninguém. Antes, ele havia abordado a aprendiz na chegada ao trabalho, perguntado a data de seu aniversário e dito que pretendia lhe dar um presente.
O gerente negou o assédio e disse que apenas cumprimentou a funcionária com um beijo no rosto. O juiz Diego Petacci considerou o relato da aprendiz coerente e amparado por outros elementos, como uma conversa registrada em cartório, fotografias e depoimentos. A defesa de que beijar colegas no rosto seria um hábito não convenceu o magistrado, que escreveu: “A habitualidade unilateral da conduta não constitui consentimento”. A empresa demitiu o gerente em 9 de outubro de 2025.
