Honestidade tem preço? Motorista devolve R$ 131 milhões e cobra recompensa de R$ 13 milhões

A 6ª Vara Cível de Palmas decidiu não analisar o pedido de esclarecimento apresentado pela defesa de Antônio Pereira do Nascimento, motorista que recebeu por engano R$ 131.870.227,00 de um banco e devolveu o valor após ficar milionário por cerca de sete horas. Ele cobra na Justiça uma recompensa de R$ 13.187.022,00, equivalente a 10% da quantia devolvida, além de R$ 150 mil por danos morais.
O pedido ocorreu depois que a Justiça dispensou testemunhas indicadas pela defesa do banco e pelo próprio motorista. Na decisão, o juiz afirmou que os advogados não apontaram contradição, omissão ou obscuridade que justificasse embargos de declaração, instrumento usado para pedir esclarecimento ou correção de decisões. “Pelo exposto, não conheço dos embargos de declaração opostos […], por ausência dos requisitos legais”, diz a decisão. O advogado especialista em Direito Civil Mateus Gomes avaliou que o juiz entendeu faltar requisito para examinar o recurso.
A ação começou em julho de 2024, pouco mais de um ano depois da transferência indevida. O processo afirma que o gerente da agência fez “pressão psicológica” para que Antônio devolvesse o dinheiro e insinuou que “pessoas” estariam na porta da casa dele para aguardar a restituição. A defesa também sustenta que o motorista sofreu assédio da imprensa, abalos emocionais e constrangimentos. O Bradesco informou que não comenta processos em andamento.
