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Justiça ordena despejo de 650 famílias Pataxó em terra demarcada na Bahia

Aldeia Velha, território Pataxó em Arraial d’Ajuda, na Bahia
Aldeia Velha, território Pataxó em Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, na Bahia. Foto: Reprodução.

A Justiça Federal determinou prazo de 60 dias para o despejo de cerca de 650 famílias indígenas Pataxó de uma área de 1.275 hectares da Terra Indígena Aldeia Velha, em Porto Seguro, no sul da Bahia. O governo federal homologou o território em 18 de abril de 2024, após a conclusão dos estudos antropológicos. Com informações de brasildefato.com.br.

A comunidade reúne uma escola com 235 estudantes, posto de saúde, sítios arqueológicos, manguezais e uma faixa remanescente de Mata Atlântica preservada. A decisão partiu da Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Eunápolis, após pedido de uma empresa que alega ser proprietária da área.

A empresa usou como principal argumento a tese do Marco Temporal, segundo a qual povos indígenas só teriam direito às terras que ocupavam até 5 de outubro de 1988. O Supremo Tribunal Federal já considerou a tese inconstitucional, mas ela segue em disputas judiciais e fundiárias contra povos indígenas. Também participam da ação a Funai, a União e a comunidade Pataxó.

Ahnã Pataxó, liderança indígena de Aldeia Velha, afirmou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que a comunidade não deixará o território. “Não vamos sair. A resposta é que vamos permanecer no nosso território ancestral. Estamos localizados no coração de Porto Seguro, uma terra visada, e enfrentamos há muito tempo uma especulação imobiliária muito grande”, disse. A Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia repudiou a medida e declarou que aceitar a decisão abre precedentes contra direitos já reconhecidos.