Ex-professor da USP vira réu por estupro, importunação e assédio contra estudantes

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o ex-professor da Universidade de São Paulo Alysson Leandro Barbate Mascaro por estupro, estupro de vulnerável, importunação sexual e assédio sexual contra ex-alunos e integrantes de um grupo de estudos ligado à Faculdade de Direito. A decisão saiu neste domingo (21) e coube à juíza Érica Aparecida Ribeiro Lopes e Navarro Rodrigues, da 22ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, na capital paulista.
Na decisão, a magistrada afirmou que a denúncia preenche os requisitos legais e citou relatos de vítimas e testemunhas, além de indícios de autoria e materialidade, para o prosseguimento da ação penal. A Justiça também determinou medidas protetivas em favor de uma das vítimas: Mascaro não pode se aproximar da residência ou de locais frequentados por ela a menos de 200 metros nem manter contato por qualquer meio.
O Ministério Público afirma que os fatos ocorreram entre o primeiro semestre de 2020 e dezembro de 2024 e envolveram vítimas do sexo masculino. Segundo a acusação, Mascaro teria usado sua posição hierárquica, influência acadêmica e prestígio profissional para atrair estudantes para seu círculo de convivência, em um modelo de relação que chamava de “mestre e pupilo”, com referências a Sócrates e Platão.
A USP oficializou a demissão de Mascaro em fevereiro deste ano, após afastá-lo em dezembro de 2024. A sindicância interna começou depois de denúncias de alunos e ex-alunos sobre casos de assédio que teriam ocorrido entre 2006 e 2024. A defesa dele negou as acusações no procedimento administrativo; procurada após a decisão judicial, não houve retorno até a publicação da reportagem.
