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Krakatoa: a erupção que matou 36 mil e produziu o som mais alto já registrado

Imagem ilustrativa da erupção do vulcão Krakatoa. Foto: Hulton Archive/Getty Images

O vulcão Anak Krakatau, na Indonésia, entrou em erupção duas vezes no começo de julho, nos dias 2 e 3, e lançou colunas de cinzas de até 250 metros de altura, segundo reportagens que citam a agência geológica do país. Um grupo responsável pelo monitoramento da atividade vulcânica na região informou que não havia ameaça imediata às comunidades próximas.

O Anak Krakatau surgiu em 1927 na caldeira deixada pela erupção do Krakatoa, uma das mais letais da história. Em indonésio, seu nome significa “Filho do Krakatoa”. A erupção de 1883 matou mais de 36 mil pessoas, destruiu 165 vilarejos em menos de 48 horas e produziu o que especialistas consideram o som mais alto já registrado, ouvido a milhares de quilômetros de distância.

Os primeiros sinais da tragédia apareceram em maio de 1883, quando o comandante de um navio de guerra alemão viu nuvens de cinzas e poeira saindo do vulcão, então inativo havia cerca de 200 anos. As grandes erupções começaram em 26 de agosto e atingiram o auge no dia seguinte: a coluna de cinzas chegou a 80 quilômetros de altura, cobriu cerca de 777 mil quilômetros quadrados e mergulhou a região na escuridão por mais de dois dias, segundo os Centros Nacionais de Informação Ambiental dos Estados Unidos.

Sidney Baker, que presenciou a erupção quando era menino a bordo do navio do pai, relembrou o episódio à BBC em 1946. “Ficou tão escuro que não dava para enxergar a própria mão diante do rosto”, afirmou. Os tsunamis provocados pela explosão responderam por 34 mil das 36 mil mortes. As cinzas espalhadas pela atmosfera reduziram a temperatura média global em até 0,5°C, alteraram amanheceres e entardeceres e ajudaram cientistas a compreender que eventos locais podem afetar o planeta inteiro.