Kylie Jenner é acusada de financiar machosfera com óculos da Meta; entenda

A modelo e empresária Kylie Jenner virou alvo de críticas após lançar uma parceria com a Meta para um modelo de óculos inteligentes. A colaboração ampliou um debate que já cercava esse tipo de acessório: os limites de privacidade e consentimento quando dispositivos conseguem fotografar e filmar de forma discreta em espaços públicos.
Nas redes, internautas acusam Kylie de ajudar a suavizar a imagem de um produto associado a práticas de assédio e importunação sexual. A crítica ganhou força com a circulação de conteúdos em que homens ligados à chamada “machosfera” usam óculos inteligentes para filmar mulheres durante abordagens. Esse ecossistema digital reúne discursos de superioridade masculina, antifeminismo e hostilidade contra mulheres. O modelo assinado pela empresária, chamado Meta Starfire Kylie Edition, teve divulgação focada no apelo fashion da peça e deve ser vendido por US$ 299, cerca de R$ 1.500. Críticos afirmam que a campanha tenta “passar a estética por cima da ética”, ao associar a tecnologia à imagem de Kylie, conhecida por sua atuação nos setores de beleza e moda.
As preocupações também envolvem o uso de inteligência artificial nos óculos da Meta. Parte do público teme que imagens captadas sem consentimento alimentem sistemas de IA ou exponham dados sensíveis. Episódios como a análise de clipes gravados por óculos inteligentes por prestadores de serviço no Quênia, um experimento de estudantes de Harvard capaz de identificar dados pessoais de desconhecidos na rua e o uso de acessórios semelhantes por autoridades policiais na China alimentam os alertas sobre a tecnologia.
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