Lágrimas podem ajudar no diagnóstico antecipado de distúrbios neurológicos; entenda como

Pesquisadores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) desenvolveram um sensor de baixo custo capaz de medir níveis de dopamina em lágrimas. O dispositivo, com tamanho aproximado de um selo postal, detectou diferentes concentrações do neurotransmissor em lágrimas artificiais humanas com precisão, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (08) na revista ACS Omega. Com informações da Galileu.
A dopamina atua na comunicação entre neurônios e participa de funções como controle dos movimentos, aprendizagem, motivação e regulação das emoções. Alterações nos níveis dessa molécula se associam a doenças neurológicas e psiquiátricas; no Parkinson, por exemplo, ocorre perda progressiva de células cerebrais responsáveis por sua produção. Como exames atuais podem exigir processamento laboratorial ou procedimentos invasivos, os pesquisadores investigam as lágrimas como uma alternativa simples, rápida e indolor. “Nosso objetivo era facilitar a detecção ultraprecoce de distúrbios neurológicos, criando oportunidades para intervenções clínicas antes que os sintomas graves se manifestem”, afirmou o químico Neftalí Lênin Villarreal Carreño, professor da UFPel e autor do estudo.
A equipe produziu o sensor com uma fina película plástica modificada com laser, processo que transforma parte do material em grafeno, estrutura de carbono conhecida pela alta condutividade elétrica. Quando a dopamina entra em contato com essa superfície, a reação gera um sinal elétrico proporcional à concentração da molécula na amostra. O equipamento manteve desempenho mesmo na presença de outras substâncias comuns às lágrimas, mas segue em fase experimental: novos estudos ainda precisam testar amostras de pacientes e confirmar sua utilidade clínica.
