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Lara Resende defende corte da Selic para conter inflação e dívida

André Lara Resende. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O economista André Lara Resende defende que o Banco Central reduza gradualmente a Selic para perto de 7,5% ao ano em 12 meses. Em artigo publicado em setembro, ele sustenta que juros elevados, usados como principal instrumento de combate à inflação, podem pressionar os preços e impulsionar o crescimento da dívida pública. Com informações de uol.

Para Lara Resende, o desequilíbrio fiscal brasileiro está sobretudo no custo dos juros, e não nas despesas primárias. O déficit primário de 2025 ficou em 0,48% do PIB, enquanto os juros da dívida chegaram a R$ 1,18 trilhão nos 12 meses até agosto, equivalente a 8,9% do PIB. “Quando se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A grande despesa do estado é com os juros sobre a dívida”, afirma.

A proposta prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por metas fiscais e monetárias para períodos de quatro ou cinco anos. O economista reconhece que o corte dos juros pode provocar um repique inflacionário no curto prazo, mas avalia que a redução posterior da inflação seria reforçada pelo perfil da dívida brasileira, em grande parte atrelada à Selic. A tese contraria a visão predominante no mercado, que associa juros mais altos ao controle da inflação e alerta para riscos cambiais e de perda de confiança.