Ex-PM que ameaçou decapitar juíza e jurados tem insanidade mental descartada

Um laudo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) descartou a hipótese de insanidade mental do ex-policial militar Eduardo José de Andrade, acusado de matar Tiago de Paula, de 32 anos, a tiros em Cedral (SP), em novembro de 2022. O documento, emitido em 23 de junho e obtido pela TV TEM nesta terça-feira (14), concluiu que ele é imputável e tem capacidade de entender o caráter criminoso dos atos.
Eduardo responde preso pelo homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. No dia do crime, ele estava de folga da Polícia Militar, mas usou uma arma da corporação para atirar pelo menos sete vezes contra Tiago, que estava sentado na calçada em frente de casa. A perícia reconheceu sintomas de ansiedade, insônia e histórico de uso de drogas, como cocaína, mas afirmou que esses fatores não comprometeram sua capacidade de compreender o crime; os peritos também apontaram conduta organizada, sem indícios de desorganização psicótica, delírios ou alucinações.
O júri popular acabou anulado depois que Eduardo ameaçou a juíza e os jurados durante o interrogatório. “Eu matei, não me arrependo. Quando eu sair para a rua, vou continuar matando”, declarou. Ele também disse que cortaria a cabeça de jurados e da magistrada; após a intimidação, um jurado afirmou não ter condições de continuar, e a sessão terminou sem julgamento. Não há data para o novo júri. Em outro caso, Eduardo recebeu em fevereiro de 2025 uma condenação a 29 anos de prisão pela morte de João Gonçalves Filho, de 39 anos, crime apontado como motivado por dívida de drogas.
