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Lava Jato afeta famosos fora da política, incluindo Ticiana Villas Boas, a esposa de Joesley Batista

Reportagem de Joelmir Tavares na Folha de S.Paulo retrata quem são os famosos de fora do universo político que foram afetados por delações e denúncias da Operação Lava Jato. Alguns são óbvios, como Ticiana Villas Boas (esposa de Joesley Batista), Patricia Abravanel (filha do empresário Silvio Santos, relatada por um executivo da JBS por supostamente discutir propina num jantar) e Celso Kamura (cabelereiro de Dilma, que foi acusado de ter recebido caixa dois por Mônica Moura, esposa de João Santana, que ele desmente).

Outros, no entanto, são inusitados.

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Ticiana Villas Boas

Mulher de Joesley Batista, a jornalista se afastou do SBT, onde apresentava reality shows de culinária, após o marido aquecer em fogo alto a República. A delação do sócio da JBS fez a carreira dela desandar e esfriou o casamento dos dois, já que nos áudios ele cometia indiscrições (virou meme o trecho em que relata a intenção de “comer duas véia”). Ticiana ressurgiu nas redes sociais em novembro, falando em “justiça divina” e em buscar “forças para voltar a viver e lutar”

Romero Britto

Retratista de políticos que admira (já fez quadros das famílias Obama e Doria), o pintor das muitas cores viu a Justiça mandar leiloar obras que ele diz ter dado de presente a Sérgio Cabral (MDB-RJ) e à mulher dele, Adriana Ancelmo. Avaliados em R$ 146 mil, os quadros com o rosto do ex-governador do Rio e da ex-primeira dama e um terceiro, abstrato, estavam na casa de veraneio dos dois, presos após investigações apontarem uma série de desvios. O leilão foi suspenso em setembro.

Benito Di Paula

O cantor soltou a voz para reclamar do “desrespeito” do deputado Carlos Marun (MDB-MS) por parodiar sua canção “Tudo Está no Seu Lugar”, festejando o arquivamento da segunda denúncia contra Temer, baseada em delação da Lava Jato. O político, depois nomeado ministro pelo presidente, entoou no plenário da Câmara dos Deputados um verso zombando da oposição. A cantoria, protestou Benito, poderia sugerir que ele estivesse a favor de Temer: “Não tô apoiando porra nenhuma”.

Kiko Zambianchi

De apelido Kiko, o empresário Francisco de Assis Neto, apontado como operador do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ), aparecia nas planilhas de distribuição de dinheiro como “Zambi”. Era uma referência ao músico, que fez ressoar sua raiva com a inspiração do xará. “É uma sacanagem, uma canalhice”, disse o cantor, que avalia até entrar com uma ação na Justiça contra o outro Francisco, preso em uma operação derivada da Lava Jato.

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Vampeta

Saem os gritos da torcida, entram as citações do delator. O operador Lucio Funaro disse que comprou do ex-jogador um flat em São Paulo para a enteada de Eduardo Cunha (MDB-RJ) morar. Já o ex-deputado afirmou que Funaro deu um cheque só para garantir o negócio, mas não fechou a aquisição –feita depois legalmente, segundo Cunha. “Queria ser amigo desses caras, pra eles colocarem R$ 51 milhões na minha conta”, disse Vampeta, referindo-se ao bunker de Geddel Vieira Lima (MDB-BA).