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“Zero lactose” não significa ausência total do açúcar do leite

Leite sem lactose
Imagem ilustrativa

O leite vendido como “zero lactose” não elimina totalmente o açúcar natural do produto. A indústria adiciona a enzima lactase, que quebra a lactose em glicose e galactose antes de o leite chegar ao consumidor. A legislação permite o rótulo de isento de lactose quando o produto tem até 100 miligramas do açúcar a cada 100 mililitros.

Todo leite de vaca contém originalmente entre 4 e 5 gramas de lactose por 100 mililitros. A quebra promovida pela lactase reduz quase todo esse volume, mas deixa um resíduo mínimo. Para a gastroenterologista Patrícia Holanda Almeida, do Einstein Hospital Israelita, é raro que até 100 miligramas provoquem sintomas, que geralmente exigem quantidades maiores, na casa dos gramas.

Quando o desconforto persiste após o consumo do leite sem lactose, a causa pode não ser o açúcar residual. Médicos investigam condições como síndrome do intestino irritável, supercrescimento bacteriano no intestino delgado, intolerância à frutose e reação à caseína, proteína presente também nas versões sem lactose. A avaliação médica pode indicar exames, mudança de marca, ajuste da porção ou uso de lactase, sem restrições alimentares feitas por conta própria.