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Líder do governo Temer diz que devolver dinheiro de viagem internacional “é uma saia justa do cão”

Da CBN, por Raquel Miúra:

Deputados em viagem ao exterior não escondem o incômodo com a repercussão do gasto público com as diárias. Além do presidente da Câmara, mais nove parlamentares, embarcaram sexta passada e retornam no próximo domingo, passando por Israel, Itália e Portugal. Numa conversa no hotel onde estavam hospedados na segunda-feira, o líder do PMDB Baleia Rossi comenta com colegas que foi procurado pela imprensa para falar do assunto:

“Agora de 9 dias nós só estamos recebendo 5 diárias não é? Eu estou falando que eu estou abrindo mão de 4 diárias. Abrir mão pra economizar, pra ajudar o país. Falei para uma jornalista – Meu filho eu estou incomunicável. Depois no final da viagem eu vejo o que eu faço”.

Apesar da viagem durar nove dias, a Câmara tem custeado só os dias de compromissos oficiais, limitados a cinco diárias. Assim, não haveria em tese o que devolver. A assessoria de Rossi informou que ele foi mesmo procurado, mas a nenhum jornalista o parlamentar disse que devolveria diárias, apenas que teria direito a cinco e não a nove, justamente respeitando o que prevê a regra. E que na conversa, que se deu num ambiente informal, não há qualquer irregularidade.

A CBN teve acesso ao diálogo porque ligou para um dos deputados que está na comitiva e ele não desligou o celular após a gravação da entrevista. O aparelho captou o áudio.

Em outro momento o deputado peemdebista também se queixa da pressão que eles estão sofrendo por causa da informação de que Rodrigo Maia abriu mão das diárias:

“Agora o Rodrigo, tem que falar o seguinte – não é que ele está devolvendo, ele não vai receber. Porque esse negócio de devolver…aí coloca a gente numa saia justa do cão”. 

Maia, de fato, não irá devolver as diárias porque não as recebeu, já que sua hospedagem é bancada pelo país que o convidou. Os demais deputados recebem US$ 550 por dia, totalizando cerca de R$ 9 mil para cada parlamentar e R$ 81 mil o grupo todo.

Em Israel, eles tiveram encontro com o primeiro ministro Bejanmim Netanyahu e autoridades palestinas. Na Itália, vão visitar um monumento militar brasileiro. Em Portugal, participam de seminário e almoçam com o embaixador do Brasil. O deputado Heráclito Fortes, que está na comitiva, afirma que esses eventos discutem, entre outros assuntos, segurança pública e que são importantes para o país. Ele disse à reportagem que existe uma “síndrome de vira-lata”, perseguição da mídia com relação a viagens internacionais:

“Nós passamos juntos a tarde toda, discutindo segurança. Isso é bom para o país. O Brasil está com tanto problema, com tanta dificuldade. Vamos acabar com esse complexo de vira-lata”.

Ainda naquela conversa informal entre os deputados, o líder peemedebista comenta a declaração do ministro da Fazenda de que seria interessante ser vice-presidente da República, frase que ele depois disse que foi uma brincadeira:

“Meirelles começou a cavar a sepultura, falou que pode ser vice. Candidato a vice. Ele deu uma declaração de que ser vice não é tão ruim.”