“Lista de estupráveis”: alunos da UFMT são investigados após mensagens vazadas; entenda

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) suspendeu as atividades presenciais dos cursos de Direito e Engenharia Civil no campus de Cuiabá após o vazamento de conversas de WhatsApp em que estudantes teriam criado uma lista de “alunas mais estupráveis” da instituição. O caso se tornou público há cerca de duas semanas, segundo o Centro Acadêmico, depois que as mensagens chegaram a alunos de outros cursos e provocaram protestos em 4 de maio.
Nas conversas os estudantes falam sobre colegas da universidade e fazem referência a violência sexual. “Na minha também tem (aluna gótica e roqueira). Com piercing na boca. Vou molestar. Bora depois fazer um ranking de alunas mais estupráveis dos nossos cursos”, diz uma das mensagens. Um representante de turma formalizou a denúncia à coordenação após receber o conteúdo e repreender os suspeitos. Segundo a reitoria, o pai de um dos alunos envolvidos entrou no campus e ameaçou estudantes ao afirmar que, “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”. A Polícia Civil investiga o caso e apura a conduta do responsável, apontado como agente da Polícia Federal.

A UFMT criou uma Comissão de Inquérito Disciplinar para apurar o episódio nas faculdades de Direito e Engenharia. Em esclarecimento à universidade, um calouro de Direito afirmou que seu celular teria sido usado por terceiros para o envio das mensagens, enquanto o estudante de Engenharia não se pronunciou. A instituição informou que manteve as aulas remotas por tempo indeterminado para preservar a segurança da comunidade acadêmica, solicitou reforço à Polícia Militar e à segurança interna e afirmou que segue colaborando com as investigações. O Centro Acadêmico de Direito classificou o caso como “comportamento misógino”.
