Luiza Trajano une mulheres “pelo protagonismo na política”
Do Valor:
Na sala de reuniões de um amplo sobrado no bairro do Paraíso, na região centro-sul de São Paulo, cerca de 150 mulheres almoçam animadas. Entre uma cadeira e outra é até difícil localizar Luiza Trajano, fundadora do império varejista que faturou R$ 11,4 bilhões no ano passado. Sentada em uma das mesas com outras três mulheres, ela se mistura às demais participantes, acessível enquanto come e conversa. A hierarquia do Magazine Luiza não se aplica ali, diz.
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O clima informal e amistoso pode enganar quem imagina que são pouco ambiciosos ou que há algo de improviso nos planos do grupo Mulheres do Brasil, que começou em 2013 com 40 empreendedoras e hoje reúne mais de 7 mil associadas de perfis variados em todo o país. A meta é tornar-se o principal movimento civil político não partidário do Brasil. “O que a gente quer é ter interferência política em quem decide a política”, diz Luiza.
Cada ação do grupo é baseada em pilares bem determinados: levar mais mulheres ao protagonismo na política, nas empresas e nas transformações do país. Agenda feminista? “Se você achar que feminista é defender que haja mais mulher na política, é ser contra a violência contra a mulher, é pensar que não podemos levar 80 anos para ter mulheres em cargos altos nas empresas, então eu vou te responder que é, que eu sou feminista”, diz Luiza, rejeitando qualquer versão pejorativa do conceito.
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Embora a primeira reunião tenha ocorrido no Planalto, com a presença de Dilma – e Luiza já tenha sido até cogitada para ser ministra da ex-presidente -, a fundadora do Magazine Luiza faz questão de enfatizar que o grupo é absolutamente apartidário e que seu objetivo não é seguir carreira política. “Sempre soubemos que não queríamos ser candidatas, nem montar partido. A gente não sabe se amanhã alguém vai querer, mas hoje a gente não quer”, diz Luiza. Criado por empreendedoras, hoje o grupo quer ser o mais plural possível, abrangendo da elite às comunidades da periferia, aberto a qualquer mulher alinhada com seus ideais. “Pode ser dona de casa, quem quiser”, diz Luiza.
A empresária diz que o plano é receber todos os candidatos à Presidência no ano que vem. “Vamos receber sem vaiar ninguém, sem aplaudir ninguém. Queremos saber a opinião de Fernando Henrique [Cardoso], do [Luiz Inácio] Lula [da Silva], se ele quiser vir. Já recebemos o [João] Doria”, diz a presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, que de manhã até a noite daquela quinta-feira conduziu pessoalmente as reuniões chamadas de “portas abertas”, que apresentam o grupo a novatas.
