Lula, Canudos e a elite sanguinária simbolizada por Thompson Flores

No ato realizado no Rio de Janeiro, em defesa da democracia e do direito de ele ser candidato a presidente, Lula disse que Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente do TRF-4, era bisneto de um coronel que lutou na campanha para derrotar Canudos.
A referência foi feita no contexto em que Lula falou do desnecessário elogio que Thompson Flores fez à sentença de Moro que o condenou. Thompson a considerou irretocável e uma peça que entrará para a história.
Lula estranhou, pelo fato do desembargador emitir a opinião sem ter tido oportunidade de ler o processo. E perguntou: “Será que ele acha que eu sou Canudos?”.
Logo vieram os desmentidos.
Thompson tinha, de fato, um parente que tentou matar Antônio Conselheiro, o líder de Canudos — um projeto considerado utópico de sociedade no final do século XIX. Mas não era seu bisavó.
Tomás Thompson Flores, coronel do Exército e deputado, era irmão do trisavó do atual presidente do TRF-4. O trisavô era presidente da Província do Rio Grande do Sul, e Tomás foi para a batalha de Canudos.
O atual presidente da TRF-4 pode ter herdado dele um traço da personalidade, o da precipitação.
Na ânsia de derrotar Conselheiro, segundo narra Euclides da Cunha (autor da obra-prima Os Sertões), o coronel Tomás foi para a linha de frente. Só que não tirou a farda de coronel e se tornou o alvo preferencial dos combatentes do líder de Canudos.
Acabou morto três meses antes de Conselheiro, que ele queria destruir.
