Lula defenderá fim do teto dos gastos públicos de Temer em nova versão de carta ao povo
De Daniela Lima do Painel da Folha de S.Paulo.
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No manifesto em que pretende apresentar sua plataforma eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá o fim do teto dos gastos públicos, que congelou despesas federais por 20 anos para tentar equilibrar as contas do governo. O tom será oposto ao da Carta ao Povo Brasileiro de 2002, quando se comprometeu com o equilíbrio fiscal para ganhar a confiança dos investidores. “Agora vamos radicalizar, indo à raiz dos problemas”, disse Lula a aliados num encontro recente.
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O foco da nova carta será o combate à desigualdade, dizem os petistas. Esta seria a chave da proposta para atacar os desequilíbrios da Previdência e promover mudanças no sistema tributário, desonerando os mais pobres e aumentando os impostos dos mais ricos.
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Ainda não há data para divulgar o documento. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgará em breve recursos de Lula contra sua condenação e poderá mandar prendê-lo em seguida. O ex-presidente também quer usar a carta para expor sua visão sobre os processos que enfrenta.
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Dirigentes do PT começaram a discutir como lidar com a reação da militância do partido a uma possível prisão de Lula. Petistas afirmam que tudo vai depender do grau de participação popular em eventuais manifestações. A ordem é não assumir riscos se não houver adesão em massa.
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Entre as propostas em discussão está a possibilidade de militantes do PT e de movimentos sociais ligados à sigla cercarem o local em que o ex-presidente estará para dificultar o acesso da polícia. Outra ideia é formar cordões humanos nas ruas para paralisar o trânsito das grandes cidades.
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Integrantes da cúpula do PDT têm pressionado os petistas nas negociações para formação de palanques estaduais. Querem garantir o apoio a Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial para o caso de Lula ficar fora das eleições.
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Dirigentes do PDT conversaram com os governadores petistas Rui Costa (BA) e Wellington Dias (PI) e o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Luiz Marinho. O presidente da sigla, Carlos Lupi, viu Lula há uma semana. Foi o segundo encontro neste mês.
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