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Mãe Menininha do Gantois: conheça o legado da ialorixá que marcou a Bahia

Maria Escolástica da Conceição Nazaré era mais conhecida como Mãe Menininha do Gantois – Foto: Acervo Terreiro do Gantois

Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha do Gantois, morreu há 40 anos após se consolidar como uma das principais lideranças do candomblé brasileiro. Nascida em 1894, ela assumiu o comando do Ilê Iaomim Axé Iamassê, o Terreiro do Gantois, em Salvador, aos 28 anos, e permaneceu no posto por 64 anos. Bisneta da fundadora da casa, Maria Júlia da Conceição Nazareth, sucedeu a tia-avó Pulquéria Maria da Conceição em 1922.

Sua trajetória atravessou um período de forte perseguição às religiões de matriz africana. Mãe Menininha frequentava missas e se declarava católica, postura que estudiosos apontam como uma estratégia de sobrevivência diante da discriminação. Ao mesmo tempo, articulou alianças para defender sua comunidade e ganhou influência entre autoridades, artistas e esportistas, como Luiz Inácio Lula da Silva, Getúlio Vargas, Pelé, Gilberto Gil e Jorge Amado.

O reconhecimento ultrapassou os limites do terreiro e chegou à cultura popular. Dorival Caymmi lançou em 1972 a canção Oração de Mãe Menininha, mais tarde regravada por Maria Bethânia e Gal Costa. A ialorixá também inspirou referências de Caetano Veloso, enredos de escolas de samba e textos de Jorge Amado, que a definiu como “a ialorixá de todo o povo da Bahia”.