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Maia: “Se eu tivesse feito um movimento, não assumiria de forma legítima a Presidência”

 

Rodrigo Maia deu entrevista ao Globo. Rodrigo Maia é de outro mundo.

Agora que a denúncia foi arquivada, como está sua relação com o presidente da República?

Está boa. Na quarta falei o que tinha para falar e acabou, para mim está zerado. Acho que o presidente deu uma sorte que a minha agenda, na área econômica, é igual à dele.

O seu entorno em algum momento se antecipou e lançou o senhor para suceder a Temer?

Há um erro de avaliação em relação ao meu entorno. Ouvi, no meu primeiro mandato (como presidente da Câmara), uma frase do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que disse: “Rodrigo, eu vou continuar votando em você porque você foi um presidente que não fez patota”. Eu não tenho patota. Eu construo a minha presidência com todos os partidos que compõem o Congresso Nacional, do mais radical ao menos radical. Sempre disse que eu nunca ia me posicionar contra o presidente da República.

Como o senhor administrou a expectativa de poder que existiu?

Eu sou o presidente da Câmara, sou o primeiro na linha sucessória. Quem disse que eu não estou mais forte hoje do que antes?

O senhor está mais forte agora do que antes?

Não sou eu que vou dizer, é o tempo. Quem disse que, se eu estivesse hoje na Presidência da República, eu estaria mais forte do que eu estou hoje? Eu acho que tudo o que é legítimo gera uma consolidação melhor. E acho que, se eu tivesse feito um movimento contra o presidente, não seria legítimo, eu não assumiria de forma legítima a Presidência.

Mas não é um paradoxo resistir a liderar um movimento pela sua própria elevação ao poder?

Não liderei e nem deixei que ninguém liderasse. Fui eleito para presidir a Câmara dos Deputados, dentro da Constituição eu sou o primeiro na linha sucessória. Se tivesse que acontecer, aconteceria de forma natural. Acho que tudo o que você se utiliza do poder para benefício próprio é ruim, então eu não me arrependo de nada que eu fiz. Fiz tudo certo. Ao contrário: difícil alguém cumprir esse papel melhor do que eu cumpri. Igual, talvez. Mas melhor tenho certeza de que seria muito difícil. Agradeço ao número elevado de deputados que entendiam que eu poderia ser um bom presidente.

Ou seja: o senhor aceitou o elogio, mas não deixou isso subir à cabeça?

Nunca. Eu estou há muitos anos na política, já tive momentos de muito poder e já tive momentos de muita solidão. Ser presidente da Câmara já é uma coisa muito importante, muito grande. Empurrar o presidente para fora da cadeira seria uma posição que iria manchar a minha biografia e eu não aceitaria isso.

O senhor chorou no dia, quando tudo acabou?

Chorei na véspera, então já tinha extravasado.

Qual foi sua válvula de escape?

Fiz análise uma vez e o meu analista me disse uma frase muito importante que até hoje me serve: “Nunca faça pelos outros esperando algo em troca”. Acho que isso sempre me balizou em todas as minhas decisões. Tudo o que eu fiz pelo governo, eu nunca fiz por nada. Quando fui atacado pelo governo, essa frase me confortou. De fato eu esperava atitudes distintas, mas infelizmente a vida é assim.

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