Maior liderança solta do PCC é assassinada no Ceará
Texto de Marcelo Godoy, Marco Antônio Carvalho e Carmen Pompeu no Estadão.
Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram assassinados em uma suposta emboscada em um território indígena em Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza. As vítimas eram apontadas como as mais fortes lideranças soltas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma rixa interna na facção é o que pode ter motivado as mortes. Neste domingo, 18, o presidente Michel Temer determinou o envio de uma força-tarefa ao Ceará para atuar nas ações de combate ao crime organizado.
As mortes teriam acontecido na noite de quinta-feira passada, quando um helicóptero foi visto na região. Testemunhas relataram à polícia ter ouvido uma sequência de disparos. Os corpos foram encontrados na manhã seguinte por um homem que coletava frutas na área, e ainda neste domingo era realizado o processo de identificação e liberação.
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Duas hipóteses principais estão sendo consideradas para o caso. A primeira, apontada por integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, é que a morte de Gegê tenha acontecido em represália ao assassinato de Edilson Borges Nogueira, o Biroska, em 5 dezembro na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Biroska fora batizado na facção por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe-mor do PCC, e possuíra funções na Sintonia Final, cúpula da facção, antes de ser morto a golpes de estilete durante o banho de sol.
Outra possibilidade é que, solto nas ruas, Gegê estava ganhando mais poder do que os líderes presos do PCC desejavam. “Acredito que o Gegê tenha crescido demais e (eles) agiram para cortar essa liderança. Na rua, era o membro mais forte que o PCC tinha”, disse o procurador de Justiça do MP paulista Márcio Sérgio Christino, que atuou em investigações contra o PCC na década de 1990 e nos anos 2000.
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No dia em que a identificação das vítimas foram divulgadas, o presidente Michel Temer anunciou reforço no combate ao crime organizado no Ceará. A equipe com 36 homens, sendo 26 da Polícia Federal e 10 da Força Nacional de Segurança Pública, embarcaria às 22 horas deste domingo da Base Aérea de Brasília com destino a Fortaleza. O objetivo será “dar apoio técnico às forças estaduais”. O grupo será chefiado pelo almirante Alexandre Mota, secretário adjunto da Secretaria Nacional de Segurança Pública. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, também irá a Fortaleza acompanhar a atuação do grupo.
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