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Mandato de pijama? Deputado propõe votação remota para colegas com mais de 80 anos

Luciano Bivar foi afastado da presidência do União Brasil. Foto: reprodução

O deputado Luciano Bivar (União-PE), de 80 anos, tenta convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a alterar o regimento interno da Casa para permitir que parlamentares com mais de 80 anos possam votar remotamente, sem precisar comparecer às sessões em Brasília. A proposta beneficiaria apenas seis deputados atualmente e poderia ser implementada por decisão do próprio presidente ou por deliberação do plenário.

A ideia, no entanto, enfrenta resistência entre os colegas. A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), de 90 anos, criticou a proposta, afirmando que o exercício do mandato exige presença e participação nos debates. “Se não tem condições para isso, não se candidate”, declarou. A medida reacende a discussão sobre o equilíbrio entre inclusão parlamentar e dever de comparecimento às atividades legislativas.

Dados da Câmara mostram que Bivar compareceu a apenas um terço das sessões deliberativas em 2025. Das 90 reuniões realizadas, o deputado esteve presente em 30, apresentou atestados médicos em 54 e faltou sem justificativa em outras seis ocasiões. As ausências resultaram em descontos de R$ 18,6 mil em seu salário ao longo do ano. Nas comissões, o desempenho foi ainda menor: apenas duas presenças registradas.

Deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP). Foto: Reprodução

Bivar argumenta que a mudança seria razoável diante da idade e das longas viagens exigidas a quem mora em outros estados. Ele afirma que a proposta não traria grandes impactos, já que o número de parlamentares com mais de 80 anos é reduzido. “Quem quer ajudar o país ajuda independentemente da idade”, afirmou à Folha de S.Paulo.

Mesmo com a possibilidade de benefício, alguns deputados mais velhos se opõem à flexibilização. Rui Falcão (PT-SP), de 81 anos, afirmou que continuará comparecendo presencialmente. “Apesar da idade, estou todas as semanas em Brasília, votando conforme as regras atuais”, disse. O tema ainda não foi pautado oficialmente na Câmara.