Mandela foi treinado por Israel, revela documento publicado depois de sua morte
Nelson Mandela foi treinado por agentes do Mossad no uso de armas, na execução de sabotagens e nas técnicas do judô, revelou neste sábado o diário israelense Haaretz.
O serviço secreto de Israel instruiu o líder sul-africano nos anos 60, quando tinha pouco mais de 40 anos.
Mandela vivia então na clandestinidade, buscava uma aliança entre os líderes africanos emergentes e coletava fundos, país a país, para a luta do Conselho Nacional Africano, perseguido pela mira poderosa de Pretória.
O jornal teve acesso a uma carta, datada de 11 de outubro de 1962, dois meses depois de Mandela regressar à África do Sul e ser detido – começando, então, sua trajetória de 27 anos na prisã.
Nela os agentes israelenses falam ao Ministério de Assuntos Exteriores em Jerusalém de um “aprendiz” chamado David Mobsari, supostamente vindo do que era então a Rodésia.
Na carta se explica que Mandela recebia formação dos “etíopes”, isto é, dos membros do Mossad da embaixada israelense na Etiópia, que ocasionalmente ajudavam integrantes dos emergentes movimentos de descolonização e libertação na África.
Mandela, diz o documento, mostrou-se especialmente interessado em conhecer as técnicas utilizadas pelo Haganá, a organização paramilitar judaica criada antes que o próprio Estado.
Os analistas trataram de catalogar a ideologia de Mandela e chegaram à conclusão de que, embora a “visão do mundo” que explicasse fosse “socialista”, também “às vezes dava a impressão de que se aproximava do comunismo”.
Israel hoje mantém um morno relacionamento com a África do Sul, depois dos anos de apartheid, nos quais esteve sempre próximo do governo de Pretória.
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